20 de Junho de 2007

Mirta Romai, Diretora do Canal Formar, falou sobre: “A Política na Televisão”

Publicado por Priscila Martins em Virtual Educa | Enviar por e-mail.

Evento: A POLÍTICA NA TELEVISÃO

Quais os principais pontos a serem discutidos quando se fala em política na televisão?

Eu tinha a idéia de apresentar um projeto que desenvolvemos em que foi usada a televisão para a inclusão social. Nele você tem a possibilidade de ver como a televisão, hoje, pode contribuir de uma maneira muito eficaz. Começando pela experiência que a revolução tecnológica, os câmbios econômicos que são produzidos e que são muito grandes e que tem deixado a maior parte da população fora dessa estrutura. Hoje a televisão tem uma possibilidade enorme de ajudar essas pessoas a ingressar novamente em um mundo de redes, um mundo de interconexões muito forte. As pessoas que não podem ingressar serão como marginais da estrutura.

Basicamente minha competência de fazer, hoje, está embasada no uso da televisão para políticas públicas, ou seja, para mostrar a população quais são os problemas que temos, como podemos solucionar e assim vamos. Isso dá as pessoas a possibilidade de se sentirem unidas ao tecido social, participando de um processo coletivo e isso é uma das coisas que estão ausentes hoje. Hoje vivemos muito fragmentados, muito separados dos que não estão dentro dessa rede importante, que é a produção de novas tecnologias. Então minha preocupação pessoal é acompanhar este grande desenvolvimento tecnológico e ajudar as pessoas que estão por fora e isso me parece que é uma função da televisão.

Como deve ser usada a política na televisão?

É importante usar a televisão como um elemento de inclusão, claro que isso indica que temos que conhecer as formas de usar a televisão e nesse sentido são cometidos alguns erros. Por exemplo, a televisão é usada como se fosse aula, a televisão não tem nada a ver com a aula. Se a televisão comercial é usada como entretenimento, essa é uma televisão que tem que falar de interesses gerais e curiosidades, que não é o mesmo que entretenimento. Pode-se produzir um momento para lazer, mas não se trata de entreter. A palavra entreter significa entre tempos, um tempo que não passa nada; mas esse é um tempo em que ter que se passar alguma coisa. Por isso não gosto de usar a palavra entreter. Entretanto a pessoa tem se sentir entusiasmada em assistir essa televisão, basicamente porque teremos que lhe mostrar esse outro mundo que ela está fora, creio que esta é chave para usar a televisão hoje como política pública.

O governo, nesse sentido se equivoca muito, usa a televisão como propaganda política, para manejar informações e manipular a opinião pública, enganar os outros. Quando não se dão conta que a forma de ganhar adeptos é usando serviços. O governo não é muito diferente de uma empresa de serviços, as pessoas precisam conhecer e hoje necessitam de informação para viver melhor, necessitam de educação para aplicar essa educação para uma melhor qualidade de vida e isso tinha que ser política pública. Os governos de todos os países se preocupam com a televisão pública para ganhar um espaço e não para oferecer um serviço para a população, e esse é um grande erro que comentem. Buscando controlar, manipular e enganar adeptos, geram espaços que não servem para nada, quando na realidade essa inversão poderia ser usada para gerar programas de televisão com uma nova ótica podendo capacitar até 100 mil pessoas. No equador, desde 2003 até hoje já foram 350 mil pessoas incluídas socialmente. Ou seja, quando formos à televisão de forma estratégica, atendendo as necessidades dos destinatários, podemos usá-la e capitalizar, inevitavelmente, por se falar de políticos, eles capitalizarão para eles, mas de uma maneira que não sirva a todos e, sobretudo que não siga gerando mais condições de pobreza. Este é um momento chave, onde os governos não podem distrair-se porque quanto mais rápido atuem em trazer as pessoas para a cultura social, tecnológica e econômica maior pode ser o país. Hoje não se fala do valor da terra, do valor do capital, hoje se fala do valor das pessoas, então quanto mais pudermos investir nas pessoas economicamente em tempo, em dedicação para pensar naquilo que necessitam, maior será o país.

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