ENTREVISTA Zenita Cunha Ghenther

“As novas bases pra uma educação Inclusiva”
ZENITA GUENTHER é formada em Psicologia da Educação pela Universidade da Flórida, EUA. Fundadora do Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento – CEDET em Lavras – MG, criadora e coordenadora do Curso de Especialização à Distância em “Educação Especial para bem dotados e talentosos” FAEPE – Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão.
Em entrevista ao APRENDAKI Zenita falou sobre as novas bases para a educação Inclusiva na sociedade moderna.
Quais são as novas bases pra uma Educação Inclusiva?
A educação inclusiva tem que sair das portas da escola, não se pode dizer que a pessoa fica incluída quatro horas na vida e depois excluídas. È Basicamente um trabalho social, um trabalho de pensar o que nossa sociedade é organizada e se a escola esta preparando pessoas para sociedade que tem ou para sociedade que quer. Portanto as boas bases vêm da linha humanistas e de outras também, mas nós adotamos as correntes humanistas. Principalmente a individualização do ensino, pois juntar todas as pessoas pra conviver é diferente de juntar todas as pessoas pra ensinar. Para conviver quanto mais diversidade mais você lucra, pra ensinar é preciso transmitir, é não reaprender o que já sabe.
Quais são os desafios da educação?
São muitos. Ao meu ver nós temos dois sistemas de educação muito cruéis. Que é o sistema publico mantido pelo dinheiro do povo que tem um sistema muito diferente do sistema privado, que é mantido duas vezes pelo dinheiro do povo, que matricula seu filho nesse sistema. Eu não diria que é um melhor que o outro, pois muitas vezes eles tem os mesmos professores. Mas que eu digo é que há uma desvalorização de atitude em relação ao ensino público onde sessenta por cento de nossas crianças. Se nós conseguirmos fazer uma escola pública igual a escola particular, de modo que o pai possa optar: quer ir para a escola particular, porque quero, não é porque lá é melhor do que aqui. Aí nós já vencemos uma grande barreira. Eu também acho que a preparação dos professores é um problema, mas eu diria que deveria ser feita pelas universidades. Acho que é uma certa leviandade da Universidade ver o professor é mal preparado, e a todos os anos continua a mal prepará-los. Ouço isso há quarenta anos, já deviam ter aprendido a prepará-los bem. Uma desvinculação completa entre o que se lê e o que se faz nos cursos de educação, e a vida das escolas, do sistema, das famílias das crianças. Esse congresso dá pra gente sentir esse mosaico de mensagem essas direções bastante claras.
Enquanto ao advento da Tecnologia, como elas vão auxiliar nesse processo de reestruturação na educação?
Eu acredito muito. Acredito que a tecnologia vai trazer muito mais informações como uma boa biblioteca, só que em um tempo muito mais rápido. Mas ela não é alguma coisa a instituir novas maneiras de trabalhar, a não ser que sejam bem validas, isso é, você ter um computador não garante boa produção e nem ter uma massa de informações não garante a boa aprendizagem, mas realmente ajuda, e principalmente ajuda a criança a se situar no mundo rápido, com muita informação na qual toda metade nunca é verdadeira ou verdade completa, isso ajuda ao espírito critico, claro que isso depende mais uma vez do ensino individualizado. E o computador vai obrigar a isso.
Alguém já disse que nós perdemos o bonde da televisão, pois a TV era pra ser o professor falante sem estar lá, e isso era pior mesmo. Mas o computador não é assim, ele é uma biblioteca muito rápida, foi uma troca muito boa. A troca também entre as pessoas, as redes de informações, as redes de convivência, estamos mostrando um mundo não-linear, o pensamento verbal é linear, escutamos uma palavra atrás da outra embora pensamos mil coisas, esse mundo permite você seguir as mil coisas que esta pensando. Deve ajudar qualitativamente e quantitativamente também.
Como avalia a iniciativa do “I congresso de Inovação na Educação” junto aos novos rumos educacionais?
Senti-me honrada de estar na capital mundial da educação. Vi muito bons educadores brasileiros além de pessoas que dificilmente vemos no país. Uma preocupação bastante seria em uma mudança sistêmica e geral. Menos ênfase no que diz respeito ao que se impõe ao professores. Não é isso que nós precisamos, gente dizendo o que fazer e sim condições, espaço, atitude para ele possa fazer o que ele precise e que está bom para seus alunos.
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Como posso entrar em contato com a professora Zenita? Gostaria muito de conhecer o projeto CEDET.
Desde já agradeço.