1 de Setembro de 2007

Carmem Maia fala sobre experiência com EaD

Publicado por Renata Del Vecchio em Eventos Educacionais | Enviar por e-mail.

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CARMEM MAIA é brasileira, atualmente vive em Londres. De férias no Brasil, participou da 4ª edição do Congresso de e-learning e Tecnologia Educacional, o TecEducation.
Na mesa redonda “Métricas de desempenho dos cursos à distância”, Carmen falou da importância de novas alternativas e de pesquisas que mensurem o rendimento do aluno. Desde 1996 ela trabalha com EaD e já publicou diversos livros na área.
Em Londres é professora visitante do “London Knowledge Lab do Ensino de Educação da Universidade de Londres”, onde desenvolve pesquisa na área de “Work-Based Learning”.

Você é organizadora do livro “A educação a Distância e o Professor Virtual - 50 temas e 50 dias on-line”. Como foi a experiência de viver esse processo colaborativo com pessoas que estavam em diferentes pontos geográficos do mundo?
Os 50 temas em 50 dias ele foi resultado de uma angústia minha. Eu estava em Londres tinha acabado de me mudar para lá e sentia muita falta de saber o que estava acontecendo no Brasil, principalmente em relação à educação à distância. Eu passei por um período nos últimos dez anos de implementação, de modelo de EaD em instituições de ensino superior, eu fui avaliadora do MEC nos últimos 6 anos para credenciamento das instituições de ensino superior no oferecimento do EaD. Então eu tinha muita curiosidade em saber o que estava acontecendo, como as coisas estavam caminhando e quando eu fui para Londres, fui com muitas dúvidas, com muitas questões que eu não tinha conseguido solucionar.

A partir daí com os professores que agente trabalhou em cursos à distância na Anhembi Morumbi, eu propus em um fórum que fizéssemos o “50 temas em 50 dias”. Na verdade seria um tema por dia, que acabou não acontecendo e acabou ficando um tema por semana, porque eles pediam mais tempo para estar elaborando aquele tema. Eu escrevia minhas dúvidas, as minhas questões em relação ao trabalho do professor na educação virtual e como que o aluno vinha acompanhando. Algumas questões que eu mesmo não saberia responder!
A minha experiência como professora virtual foi muito ruim, eu achei muito chato, extremamente solitário, eu não gostei, eu não me dei bem e eu queria saber como que eles resolviam essas questões. Fui começando a colocar as questões, agente teve uma aceitação boa, começaram com 50 professores e terminou com 26, a evasão foi de 50% nesse caso. Os professores eram quem já havia trabalhado com agente e que tinham experiência como professores virtuais. A idéia e fazer um próximo com os alunos para saber um pouco da experiência deles. Agente acaba fazendo muita pesquisa com professor e tem pouco retorno do que está acontecendo com os alunos.
Foi uma experiência ótima porque eu estava em Londres durante os 50 dias, os professores estavam aqui e tivemos alguns problemas no começo com relação à tecnologia. Como o fuso horário permitiu eu estar algumas horas na frente, eu já acordava mais cedo e já tinha o resultado. Fim de semana ninguém se manifestava era uma coisa bem interessante! Foi bom porque eu pude acompanhar o que estava acontecendo aqui e o retorno foi ótimo. Acho que eu só consegui fazer o livro porque eu estava a distância e porque agente utilizou a tecnologia.

Às vezes é mais fácil você fazer quando está à distância do que quando você está junto. Por exemplo, acabei de fazer outro livro que vai ser lançado agora em setembro, o ABC da EaD, eu fiz com o professor João Mattar e fizemos a distância também. Eu estava na Ásia fizemos todo o trabalho à distância porque não conseguíamos se encontrar, eu cheguei e ainda não encontrei com ele.

O processo colaborativo online pode ser mesmo uma alternativa para a educação ou ainda estamos longe dessa realidade?
Antes de fazer o livro eu tinha tido umas experiências que não foram muito boas. Na verdade o processo colaborativo em geral, não necessariamente o online e o presencial, também é difícil, pois ás vezes não somos tão colaborativos como gostaríamos ou como deveria ser, agente tem certas restrições. Eu acho que a distância agente tem menos preconceito com relação ao outro. Ah eu não gosto disso, eu não gostei da cara e tem muito isso quando você está presente em um grupo, você quer muito se mostrar e tem aquela coisa do ego natural e tal. A distância facilita mais essa interlocução, as pessoas à distância têm uma capacidade maior de interagir e de se comunicar, independente de ter uma aceitação ou não do outro.
Eu acho que é possível, não é fácil como qualquer processo de colaboração entre seres humanos. São relações complicadas, eu acho que exige tempo, exige paciência e principalmente exige uma intermediação. No processo do livro isso é uma coisa que foi e é muito importante, tem que tem um mediador. É necessário ter alguém lá no meio não impondo regras, mas colocando algumas regras: olhas vai funcionar assim, as pessoas podem participar desse jeito, não utiliza esse tipo de linguagem ou é importante que as mensagens cheguem até determinado tempo. Então eu acho que existe a necessidade desta disciplina.

Reuniões formativas com os educadores utilizando o ambiente virtual pode ser potencializada com a Internet? Uma reunião pedagógica virtual poderia equacionar o desafio das instituições de formar seu pessoal e ao mesmo tempo, aliviar a enorme carga horária dos educadores?Na Inglaterra eu trabalho com o conceito do Work Based Learning, que é a educação pelo trabalho. Eu já trabalhei com enfermeiras e agora estou trabalhando com um grupo de educadores, eles estão no trabalho, continuam trabalhando normalmente. Durante o trabalho as atividades que eles desenvolvem servem de base de suporte para a aprendizagem. Então tudo que você está desenvolvendo no seu trabalho, você, por exemplo, que está fazendo esta entrevista, você está de alguma forma pensando sobre a entrevista, depois que agente terminar você vai pensar em como foi a entrevista, o que aconteceu, que é o seu trabalho. A idéia é que o dia a dia do trabalho seja à base da aprendizagem. Você faz um relatório por meio de interatividade, você manda para o seu mentor ou o seu tutor na universidade e ele vai acompanhar o seu desempenho no trabalho.
Agente trabalha com professor em serviço. Eu acho que o que desgasta e causa muita desmotivação e a própria evasão é, o adulto já trabalha 8 horas por dia, ele parar de trabalhar, pegar um trânsito, ir para outro lugar para abrir um computador, para entrar em um ambiente para ouvir alguém falar, ler alguma coisa é muito desgastante e não faz o menor sentido. A idéia é que não tenha uma separação entre o tempo de trabalho e o tempo de aprendizagem. Porque agente sabe que aprendemos enquanto trabalhamos, enquanto fazemos, que é o que agente chama de aprendizagem significativa.
Eu acho que é possível trabalhar com o Work Based Learning como uma alternativa e que é possível realizar reuniões formativas, ou ter uma forma de você trabalhar uma capacitação, um treinamento. Eu vejo pela minha própria experiência morando longe. Eu encontro mais as pessoas por MSN, por skype, eu tenho mais paciência para falar do que quando eu estou aqui. As vezes tem pessoas que agente é mais próximo a distância, tem mais facilidade em falar do que quem está na esquina, e quem agente vê todos os dias.

3 respostas

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  1. J.P.Wilkinson disse,
    2 de Fevereiro de 2008 @ 15:05

    quem mandou isso?

  2. Casimiro disse,
    11 de Abril de 2008 @ 16:39

    Acredito que Carmem possui uma experiencia surpreendente nessa área, principalmente por ser uma pessoa com a cabeça aberta a realidade e necessidade do mundo educacional. Parabens pelo programa.

  3. maria disse,
    28 de Maio de 2009 @ 18:02

    gosto muito dos seus artigos e gostaria de lhe parabenizar.
    tambem queria q vc me mandasse por email aquele seu artigo que fala de em busca de sastifação
    desde já meu muito obrigada.

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