Colóquio: “Especificidades dos Instrumentos de Avaliação próprios da Psicopedagogia” Mediadora: Quézia Bombonatto Debatedoras: Edith Rubinstein, Eloísa Fagali, Júlia Eugênia Gonçalves, Neide Noffs, Rosa Maria Scicchitano
(1ª parte)
Grupo Reflexivo: Débora Pereira, Fabiani Portella, Cristina Natel, Marisa Irene Castanho, Mônica Mendes, Neusa Hickel, Cleomar L. Oliveira
Objetivo: discutir as especificidades dos instrumentos de avaliação próprios da Psicopedagogia. Devido à complexidade do tema é mister a participação de profissionais de competência reconhecida. Desta forma, comporão o Grupo de Debatedoras: Edith Rubinstein, Eloísa Fagali, Júlia Eugênia Gonçalves, Neide Noffs, Rosa Maria Scicchitano. Da mesma forma, o Grupo Reflexivo, não menos importante será composto por: Débora Pereira, Fabiani Portella, Cristina Natel, Marisa Irene Castanho, Mônica Mendes, Neusa Hickel e Cleomar L. Oliveira responsável e, selecionar as questões da platéia.
Formato da apresentação: No primeiro momento, no horário marcado para 9h00 até 10h30, a mediadora apresentará as qualificações de cada debatedora, as dos componentes do Grupo Reflexivo e o formato do Colóquio. Logo em seguida, cada uma das debatedoras terá 15 minutos para a apresentação de seu tema. Após um intervalo de 30 min, os 2 grupos voltam ao palco. Este 2º tempo tem início com as propostas trazidas pelo Grupo Reflexivo para o debate. O tempo reservado para a interlocução do Grupo Reflexivo é de 35 minutos acrescidos, de 10 minutos para as questões levantadas pela platéia e selecionadas por uma das componentes do Grupo Reflexivo. No 3º momento, as debatedoras poderão fazer suas ponderações a partir das reflexões trazidas pelo Grupo Reflexivo e as conclusões devidas.
Ementas das apresentações:
Avaliação Dinâmica no processo de intervenção psicopedagógica
Edith Rubinstein
Partindo do princípio de que a Psicopedagogia tem por objetivo a compreensão das questões relacionadas com a aprendizagem enquanto processo. Subentende-se que este processo envolve questões relativas aos aspectos cognitivos, subjetivos/relacionais, orgânicos; culturais entre outros. Para tanto, é fundamental que o profissional psicopedagogo possua instrumentos apropriados para pesquisar, compreender e promover mudanças no processo de avaliação e de intervenção. Esta abordagem é dinâmica no sentido de que o pesquisador poderá utilizar-se de instrumentos variados, padronizados ou não, mas com o propósito de observar processos e condições de mudança.
Avaliação psicopedagógica na/da aprendizagem em grupo:contribuições da arteterapia
Eloísa Quadros Fagali
Quais as formas de avaliar que alcançam algo que se oculta e da qual nos defendemos?
Os recursos da arteterapia podem contribuir significativamente para a avaliação do aprendiz, do grupo, de uma cultura ou de uma organização. As expressões não verbais (gestos, expressões corporais, respiração, desenho, construções tridimensionais, imagens figurativas, cromáticas e sonoridades), assim como associações livres de palavras, expressões verbais literárias (contos, poesias) possibilitam o olhar e avaliação do sujeito que expressa, seja uma instituição organizacional, familiar, seja um aprendiz em qualquer faixa etária, em diferentes situações de aprendizagem.
No processo de pesquisa também as expressões simbólicas não verbais e as associações livres verbais e literárias são propícias para a avaliação do que está para além do discurso consciente e controlado, pois revelam traços significativos para análise dos valores, desejos, fantasias e mitos que escapam do controle consciente, para além das defesas que se sustentam no verbal. Podemos aprender a diferenciar os indicadores que revelam o oculto no diálogo entre a subjetividade e a objetividade, a análise qualitativa e a quantitativa.
Diagnóstico institucional participativo
Júlia Eugênia Gonçalves
“O diagnóstico institucional participativo. Instrumentos utilizados no âmbito da instituição. Nesta forma participativa de conduzir o diagnóstico, o uso de jogos, de dinâmicas de grupo e de dinâmicas vivenciais é fundamental, pois integra os membros da equipe responsável entre si e com o psicopedagogo.”
A avaliação interventiva
Neide de Aquino Noffs
Este trabalho foi realizado em parceria com a equipe multidisciplinar da Instituição Promove- ação sócio cultural – Unidade Jaçanã onde construímos um modelo de avaliação interventiva com a intenção de “contribuir de forma articulada junto à criança, suas família e a escola, para a manutenção e sucesso educacional do aluno, detectando, intervindo e orientando possíveis alterações que possam comprometer o processo de aprendizagem”.em encontros quinzenais de duas horas de fevereiro a dezembro. Estes momentos foram subsidiados pelos autores Alicia Fernández, Jabob Levy Moreno, Jorge Visca, Sara Paín também contamos com a experiência de avaliação em redes de ensino que já tenhamos sistematizado em 2003. Esta referência de trabalho implantada em 2005 permitiu a Promove agilizar o processo de Avaliação no Programa de Apoio Educacional o fortalecimento da equipe multidisciplinar, colaborar com a família (garantindo a presença do pai, dos irmãos favorecendo o “olhar” para a queixa e para a criança com mais sensibilidade e acolhida) e a escola explicitando de forma mais ágil a compreensão e o atendimento às queixas recebidas.
Este trabalho até hoje mantém a parceria com a Secretária Municipal da Educação de São Paulo (SME – no DOT) favorecendo o processo de inclusão com compromisso social.
Jogos de regra no diagnóstico e na intervenção psicopedagógica
Rosa Maria Junqueira Scicchitano
Jogos de regra podem ser um importante instrumento no diagnóstico psicopedagógico.
As situações que surgem durante o jogo – escolhido livremente ou proposto pelo psicopedagogo permitem observar: como o sujeito usa seus próprios recursos cognitivos e expressa suas emoções, como compreende e como aprende instruções e regras do jogo, se aparecem respostas constantes do tipo: “Não sei”, “Não entendi”, “Esse é difícil”, “Mas…tem solução?”, o modo de enfrentar situações novas, o nível de atenção e o foco na tarefa, as indecisões para iniciar, para continuar, como enfrenta as dificuldades, seus esforços, ograu de paciência e persistência nas tentativas e estratégias, o nível de resistência à frustracão, as estratégias que usa para jogar – se faz planejamentos, antecipações,se joga “ao acaso” ou faz escolhas “refletidas”, se explora possibilidades –, o nível de solução de problemas,a lógica usada na busca de soluções, se pede ajuda ou não, se parece admitir que pode contar com a ajuda do psicopedagogo, o nível de autonomia ao jogar – quando já conhece o jogo/quando ainda não conhece o jogo, a ansiedade mobilizada pelo jogo, a agressividade, os medos, conflitos e defesas, como lida com o erro – o erro paralisante e o erro como estímulo para buscar novos caminhos-, os argumentos que usa para justificar os erros e os acertos, como lida com o ganhar e o perder.
Os dados observados nos jogos de regra são analisados e integrados ao conjunto de dados obtidos durante a avaliação psicopedagógica para se chegar à Compreensão Diagnóstica.
Fragmentos de casos clínicos em que jogos de regra são utilizados no diagnóstisco psicopedagógico – como O Jogo da Velha, Quarteto, Resta Um, Cara a Cara, Can Can, Torre de Hanói, A Hora do Rush – são relatados e discutidos.
Os jogos de regra constituem também um dos pilares do trabalho de intervenção psicopedagógica: desempenham uma função estruturante que gera transformações e abre possibilidades de aprendizagem.
O jogo cria um espaço transicional – possibilita “conversar sobre o que realmente importa como se não importasse tanto”.
Ao experimentar acontecimentos totais – como os jogos de regra – a criança/o adolescente recupera a possibilidade de aprender com a experiência e pode transpor essa experiência para outras situações de aprendizagem.
O evento também continua das 11h00 às 12h30