Por Luciano de Sálua
Segundo dia do 6° Simpósio Brasileiro de Educomunicação no SESC Vila Mariana, e para este segundo dia de evento tivemos a participação de uma roda de conversa sobre a mídia e a educomunicação ambiental.
Para este papo contamos com a mediação de Lucia Anello, diretora do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente, e com as falas da Rachel Trajberg, coordenadora de Educação Ambiental do Ministério da Educação, André Trigueiro, jornalista e comentarista da Rádio CBN e Francisco Costa pesquisador do DEA-SAIC.
“É importante que os ministérios e a sociedade pautassem mais este assunto”, esta é a frase que fundamentou o discurso de Francisco Costa, que trouxe dados importantes sobre o documento que rege a legislação da educomunicação quando o tema é meio ambiente.
Este documento trás questões levantadas com respostas sobre educomunicação e meio ambiente, e quando questionado sobre a importância do mesmo, diz: “para que a mídia possa conscientizar a população com melhores resultados”.
O documento ressalta a importância de movimentos de artes para a educomunicação, movimentações na escola e ações organizadoras de mídias.
Francisco terminou sua fala dizendo que: ”se a comunicação é compulsória e obrigatória ela não é um direito”.
Ex-moradora do prédio em frente ao SESC Vila Mariana, onde o evento ocorre, Rachel traz consigo uma grande bagagem de educomunicação, ela viu a educomunicação se desenvolver junto ao bairro.
Com energia de sobra para se manter sentada, ela impulsiona a roda de conversas com a relação de educação e mídia, focando no meio ambiente, nos atuais problemas e suas possíveis soluções: “Estamos visualizando uma crise ambiental, e que de repente some na mídia, para dar lugar a outra crise muito forte, a econômica, sendo que ambos estão ligados à mesma raiz, o consumo”, essa foi à base exposta por Rachel para sua fala.
Quando visou à sociedade foi direta e decisiva: “A sociedade se prende em cima de valores deliberados” e quando citou a globalização disse que essa já se houve falar muito, porém cita um novo termo para entrar em combate com este, a Planetização, não sendo uma utopia, e sim a memória de um futuro, “Nós podemos construir um futuro mais adequado para uma sociedade mais sustentável”.
Quando a mesma fala de ambientalismo, ela diz: “ambientalista podem, e devem subir em arvores, mas devem ter a voz de comunicação, para comunicar-se com mais pessoas”, e termina sua fala apresentando um projeto no qual Lucélia Santos e Ricardo Macki fazem uma parceria para criar uma campanha de campanhas para instruir jovens e adolescentes para crescer e multiplicar campanhas.
Num tom de critica, André Trigueiro começa seu discurso pautando-se “na crise ambiental sem precedentes”.
Ele abriu assuntos polêmicos que arremataram a atenção do publico com falas baseadas na contradição dos argumentos de muitas instituições, por exemplo, o Bradesco, que faz campanha publicitária de ser o banco do planeta e que é um dos maiores investidores quando o assunto é empréstimos para quem queira abrir um frigorífico, e toda sua estrutura antiecológica na Amazônia.
Pautou também a diferença entre os jornalistas que possuem o diploma e os comunicadores que apesar de fazer um belíssimo trabalho não possuem diploma.
“Comentaristas deveriam ter mais espaço para falar de sustentabilidade”, reclamou após dizer “educando bem ou mal a mídia educa, é forçoso aceitar, mas temos!”, e para quem pensa que isso foi tudo, engana-se. Trigueiro reclamou das faculdades de jornalismos que não fazem com que o jornalista saia de lá sabendo de meio ambiente, tornando-se um “analfabeto ambiental”.
A sua fala encerrou-se com o brilhante comentário: “hoje todos falam de sustentabilidade, mas se todas as pessoas estão bem, por que o mundo está mal?
Nessa roda vimos e ouvimos o melhor da experiência de pessoas relacionadas ao mundo da educomunicação ambiental, mesclando educação, jornalismo e ambientalismo.
Para evoluir é só se questionar, a problematização é a chave para a solução, e o diálogo é o caminho para a ação.
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O Simpósio Brasileiro de Educomunicação realiza-se de 29 a 30 de outubro no SESC da Vila Mariana, em São Paulo-SP.
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